segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Pois não?

O tempo do tento descontento em contentação

Dispenso o consenso e o tenso da solução

Ao avesso do espesso eco de expressão

Desconexo convexo

Desconheço o apreço

Apurada estrada, escada de ilusão

Impulso avulso ao lado da inversão

Trancada parada estática

Em vão

Mentira desvira esquiva

E não

Mas diga

O tempo do consenso espesso

Desconexo ao apreço da ilusão

Ao lado trancada o vão esquiva

Conserte aperte encaixe

Disserte inerte latente

Caixão

domingo, 7 de dezembro de 2014

Mais um sobre o amor (ou sobre o que acho que seja)

Eu fui feita para ver o amor, de todas as formas, por todos os meios. Fui feita para sofrer com ele, para me apaixonar por ele, para pensar senti-lo. Fui feita para identifica-lo, para aprecia-lo, para reconhece-lo. Fui feita, provavelmente, de amor. Mas não fui feita para tê-lo. Não vivo dele. Não vivo com ele. Não somos amigos íntimos e não trocamos mensagens durante a madrugada.

Era fria a noite.
O cobertor parecia não fazer mais diferença.
Frio, chuva, barulho.
Eu adoro chuva.
Acho poética.
Eu sempre tive um desejo imenso de beijar alguém debaixo de chuva.
Clichê.


Eu acho que estar apaixonado é a maior ironia da vida. Parece que tudo dá errado ao se apaixonar. Nos tornamos as pessoas mais estúpidas quando estamos perto do alguém que se está apaixonado. Tudo é motivo de se corar o rosto, de se rir sem graça, de se perder o fio de pensamento só por olhar o alguém. É a maior ironia na vida de alguém. Se faz de tudo e parece que esse tudo está fadado a dar errado. A ser destrambelhado. A ser tropeçado. A ser avassalado. Eu nem sei o que estou sentindo. Não sei o que pôr para fora, pois não reconheço o que está por dentro.

Era quente a noite.
Os pensamentos de você agora me aqueciam.
Eu imaginava campos floridos e o sol queimando.

Eu nem gosto de sol.
Mas engraçado como uma cena ao sol de um casal apaixonado é clichê.
Gosto mais das cenas apaixonadas na chuva.
Também é clichê, mas eu prefiro.

Parece que a gente precisa sofrer de amor para escrever bonito. Precisa sofrer de solidão para filosofar sobre a vida. Precisa sofrer para aprender, para realizar a vida, se realizar, se perceber. Parece muita coisa que muitas vezes não é. A gente procura peculiaridades aonde muitas vezes não tem. A gente procura aonde não existe. Mas só parece. Mas é tudo suposição. (Só para mim). É tudo sempre suposição. E de suposição, morre muita gente todo dia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A Solidão de Sobremesa

(Duas décadas não é mole, não tá fácil pra ninguém. Muito menos pra mim)

Vim
Eu vim
Te vi
Me vi
Vim te
Vinte

O tempo passa e a gente vai crescendo. Vai crescendo e se aventurando por esse mundão aí que não espera por ninguém e só quer te ver sorrir.

A vida cresce e a gente vai se achando. Vai se achando e se perdendo, ao mesmo tempo tudo junto misturado. Um dia a gente descobre uma coisa e no outro já desaprende outra.

Os anos nos acertam e nos golpeiam sem dó nem piedade. Sem consciência das coisas. O tempo é cruel e inevitável, sem pausa ou bis.

É meio estranho completar outra década. Com consciência das coisas. É engraçado esses sentimentos que a gente tem. Eu sinto que tem vezes que a vida me incomoda. As pessoas, as situações.

Ano passado eu queria que chovesse. Hoje choveu. Um ano depois. E a vida me parece completamente diferente.

domingo, 12 de outubro de 2014

Não é mais Brincadeira de Criança

Eu não quero me sentir assim
desse jeito
Quando desaparece
e sai do conceito
Me explica de alguma forma
porque parece defeito
A sensação é tão boa
mas ingrata
Te arranca a pele
e maltrata
Te sangra a alma
e desidrata
Me persegue
por todos os cantos
Sai correndo e berrando
aos prantos
Dos dias sozinha
já me cansei de tantos
Não coloco mais pontos nos i's
ou mesmo os acentos
De certas banalidades
o mundo fica isento
Chame do que quiser
de acerto ou talento

mas

Me ajuda
não me deixe afogar
Me salva
me tira do mar
Me ache
não me deixe acordar
Me seja
me ensine a amar

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Só se foi, só se é, só se for

(Inspirado em nós, Emma. Em nossa época cinza que se coloriu e se complicou.)

É cinza. O dia a noite a tarde o entardecer e o amanhecer. Os dias meio que se mesclam meio que se embaralham porque no fundo não faz diferença no fundo poderia ser qualquer dia. A cinza cai. Como um cinzeiro que sempre está lá para aquilo carregar cinzas assim viram os momentos todos cinzas que passam caem e voam com o vento. É frio. Faz calor mas sinto frio mas por dentro é tudo frio quem disse que sinto calor? Mentira. Ah o cinza a cinza acinzentar isentar e inventar. Era tão mais fácil. Era só mas era mais fácil. As cores são tão difíceis pensar sobre elas combiná-las visti-las ser-las. O mundo colorido trás a esperança que não tenho trás o calor que eu não gosto trás o amor que me desafia e trás a dor que me persegue. O cinza não doía. Por que as cores doem tanto? Eu amo as cores. O colorido a vivacidade a paleta a diferença a individualidade a peculiaridade o cada um sendo um e ninguém mais. O cinza é tão tentador tão chamativo tão sedutor tão meu tão seu tão nosso. Era nosso. Agora somos das cores dos amores das dores da chama que arde bem aqui dentro bem lá no fundo que não consigo evitar mas que dói ao mesmo tempo que queima e é forte e destrói e constrói e vive. Por que sentir é tão complicado? Por que é tão difícil? Eu queria umas explicações que não existem só pra tentar entender mas não se entende simplesmente se sabe ou não se sente ou não se vive ou não. Se morre? Só de paixão.

domingo, 21 de setembro de 2014

Dolores

(Pra você, meu querido Kiko. Eu disse que ainda te escreveria um texto, e que data mais propícia do que esta? Parabéns.)

Eu conheci uma senhora
que não era das dores
mas sim dos amores
vivia de penhores

Uma graça
simples e simpática
humilde
distante

Perguntei seu nome
ela hesitou
disse para eu não me preocupar
eu iria entender

Fiquei abismada
nada sabia
e comecei a reparar
em sua maestria

Como lidava com a vida
com as pessoas
com as dores
e os amores

E logo percebi
que não havia outro jeito
o seu nome simplesmente se revelou

Prazer, Dolores.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

421

a               d               d               d               d               a               u
p               o               a               a               a               o              m
e                                 s
s               s                                  b              m               b              d
a              e                d                e              e                 e               i
r               r                o                l               i                 b               a
                                   r                l               a                e
d                                e                e               -                r                a
o                                s                                 n                                                          continuar
                                                   é                o                e               v
p                               e                p                i                                  i
r                                                 o                 t                f                d
a                               a                q                e                u               a
z                              m                u                                 m
e                               o                e                a                a                t
r                               r                                   o                r                e
                                 e                                                                     m
                                 s                                  l
                                                                    u                                 q
                                                                    a                                 u
                                                                    r                                  e

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Senti(n)do

O colo ficou frio.
O olhar ficou perdido.
As palavras, sem senti(n)do.

Você se levantou e eu mal sabia que seria para não se deitar mais. Você se levantou e o mundo a minha volta se esfriou. O vento gelado penetrou minha pele e congelou minha espinha, meus órgãos, meu coração (parou). Você se levantou e meu olhar te acompanhou. Até que você saiu de vista, meu olhar já não sabia mais aonde ir, não sabia o que olhar. Não sabe mais. Ele procura um rosto na multidão e não encontra. Tenta ver os lados, os ângulos, os graus. Nada. Nada enxerga. No meio disso tudo, você me dizia algo. Mas o seu afastar fez com que eu parasse de escutar. Parasse de entender. Você dizia o quê? Eu o quê? Como é? Não sei. Não faziam mais sentido as palavras. Até que elas simplesmente pararam. Para não voltar mais, também. Não se faz mais questão. Não é mais essa a expressão. Não se tem mais... simplesmente não. Do nada. E simplesmente parou. Simplesmente estancou e ficou. Como o sangue que sai, corre e escorre e uma hora seca. Uma hora ele também para. O medo que me invadiu, me possuiu, agora mudou de nome. Ele é muito mais difícil de resistir, muito mais difícil de me fazer sorrir. Não tente compreender, não foi com você. Mas sim, foi você. O medo virou raiva e dessa partiu para melhor. Me deixou aqui nessa, para aguentar tudo. Sim, me dói. Sim, me distraio. Sim, eu tenho conseguido. Sim, eu tenho saído. Sim, tenho me divertido. Mas nossa, acho que não precisava ser assim né?!... Bom, quem sou eu para dizer alguma coisa. Na verdade eu deveria dizer muitas coisas, mas acho que você também não vai escutar e achar que é implicância minha. Nada posso fazer. Vou aceitando. Superando. Ou melhor, acostumando.

O inverno chegou.
Eu fecho a porta e vou para debaixo das cobertas.
O frio agora é interno.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Perfume

Eu esqueci do amor, do muito amor.
Eu esqueci da dor, da dor que me causou.
Eu esqueci do frio, do frio que me deixou.
Eu esqueci dos olhos, dos sorrisos, do
carisma, da flor, da cor, da causa, do efeito,
do temor, do chão, das formas, dos
abraços, do cheiro... Não. Do cheiro
não. O cheiro me persegue
como um campo infinito de rosas, em que
não importa o quanto se corra, o cheiro
sempre está lá.
É o cheiro que me busca, me enlaça, me
joga no chão e monta em cima de mim.
Ele vem como uma tempestade e, sem pedir
licença, me invade e se deixa entranhar e
estancar no meu sangue.
Como uma praga. Como aquela pessoa
que não foi convidada mas aparece. Como
alguém que mal se conhece mas não se
esquece. Como você, que aqui
permanece. Mas anoitece.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Noite de Reunião

(Numa noite de amor. Numa noite sobre o amor, ah... esses olhos.)

Já tinha tempo, que a saudade já não batia mais. A falta já nem me perturbava. Mas nessa noite o amor foi maior. Nessa noite, um presente. Ah... esses olhos. A gente se perdendo e se procurando e se achando e se olhando e se consumindo sem se tocar. É difícil segurar a vontade de te procurar na multidão. É difícil deixar de olhar.

A conversa nem dura muito, parece que falta um pedaço. Falta. Mas é pra ter de novo. Pra gente ter que se encontrar de novo pra terminar de falar. A gente se encontrar de novo pra terminar de se contar. Se encontrar de novo pra terminar de se olhar. Terminar de se entrar.

Lembra? Lembra do entrar um dentro do outro? Lembra do se perder? Lembra dos poucos segundos que pareciam eternidade? Lembra?

Ah... esses olhos.

Vê-los novamente trouxe a saudade de volta. Trouxe toda aquela ansiedade. Trouxe todo o desejo. E eu aqui pensando que não os veria novamente. Eu aqui pensando que os olhares estavam perdidos. Às vezes é tão bom estar enganada. Tão bom estar atordoada. Tão bom estar, ah... esses olhos.

sábado, 26 de julho de 2014

Tropeço

(Paulo, por todos os motivos. E por apenas um.)
(Há uma música que acompanha esse texto, e aqui está ela: https://www.youtube.com/watch?v=DGh0FLLqy48)

Eu queria que te vissem como eu
como eu te vejo
como eu te vejo e te desejo
te desejo o amor
todo amor dessa vida

Pra gente sair daqui
sair daqui e ser feliz
ser feliz e viver
ser feliz e esquecer
ser feliz e se morrer
foi

Vamos
porque só a gente se entende
só a gente se aguenta
só a gente se sustenta
de pão, pirraça ou saco cheio

O dia passa e a gente nem percebe
a noite chega e não faz diferença
o tempo acompanha mas a gente só cresce
junto separado contigo comigo ou só

e se só não é a maior menor palavra, não sei qual é

Por todo amor que houver nessa vida
Por todo o horror que nos cerca e não nos espanta
Por toda a dor que houver de passar
Por todo dia que houver de sonhar

Por mais que tudo isso
pelo dia
o bendito dia
em que nesse grande mundo
e nessa vastidão de pessoas
eu te encontrei.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Porque não importam os seis meses de inverno

(Rubens, Paulo e Ian. Porque eu nem preciso explicar porquê.)

Porque ao seu lado não dói
ao seu lado é como se nada tivesse acontecido
é como se eu fosse esse momento e nada de ruim passa por minha cabeça

Porque ao seu lado a vida acontece
não me sinto estancada numa ferida aberta
não me sinto parada no tempo ou num ponto fixo no espaço

Porque ao seu lado o mundo gira
ganha cor, cheiro, flor e sabor
como os seis meses de escuridão total que voltam a ver o sol

Ao seu lado
Aos seus lados
Aos lados
Seus

Como se fôssemos um
Como se fôssemos cada um
uma qualidade de um grande todo

[Eu tenho medo.
Não quero estragar o que há entre a gente.
Tenho medo.
É difícil trocar algo certo por algo indeciso.
Medo.
Você não sabe... não entende.
Eu.]

Porque ao lado de vocês...
se bem que nem precisa ser ao lado literalmente
mesmo de longe a gente não se espanta

Porque a gente nem precisa de porquê
a gente simplesmente sabe
e é.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tabuleiro

me dá um aperto
ter que ser desse jeito
eu não entendo
e ninguém me explica
eu sei eu sei eu...
não sei mais se sei
acho
mas só acho
e continuo perdida
e continua a partida
mas não é mais minha vez
já rolei os dados
contei as casas
cantei
fugi
saí
esqueci
passou a vez
agora
meu peão fica parado
espero os dados
que alguma hora se lançarão
alguma hora
lembrarão de mim
enquanto eu
por minha vez
vivi

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Cidade (gente)Grande

(Mesmo não existindo amor em SP, me apaixonei.)

Porque aqui não existe amor
Mas nem todo mundo deixa de amar
Nem todo mundo é frio e cinza
Ainda tem cor nesse lugar
Ainda tem calor
Apesar de ventar
Ainda faz sol e a vida brilha
Mesmo quando tem chuva no ar
A gente acorda
Sai pra rua
Encontra gente
Anda anda anda
Entra ali vira aqui
Pés cansados
É bom ficar pouco tempo pra querer voltar
Mesmo quando anoitecer
A vida continuar
Vinte e quatro horas por dia
Sete dias por semana
Aqui ainda tem cor
Mesmo quando esfria
Aqui ainda tem calor
Mesmo quando a noite pia
Mas aqui não existe amor

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Suspiro

Solta o ar
Salta
Pro ar
Pra voar
Pra variar
Esse cardápio
Esse cargo
Rápido
Depressa
Passa a hora
Vamo embora
Embola
Enrola
Deita
Namora
Desfruta
Desgruda
Desvira
Revira
e volta

Andança

Vai ver que nesse me virando
te esbarro
Vai ver que nesse te esbarrando
me perco
Vai ver que nesse me perdendo
te acho
Vai ver que nesse te achando
me sonho
Vai ver que nesse me sonhando
te vejo
Vai ver que nesse te vendo
me vivo
Vai ver que nesse me vivendo
te conheço
Vai ver que nesse te conhecendo
me carrego
Vai ver que nesse me carregando
te amo
Vai ver que nesse te amando
me repenso
Vai ver que nesse me repensando
te esqueço
Vai ver que nesse te esquecendo
eu vejo

segunda-feira, 12 de maio de 2014

(ré)Começo

(Será?)

Eu já andava desacreditada. Nem pensava que era possível encontrá-los de novo. O castanho, o sorriso, o carinho, o contato, o coração (que pára).

Mas às vezes é muito bom ser pega de surpresa...

domingo, 27 de abril de 2014

Pouquidade

(Por não vê-los mais.)

Faz tempo. Passou muito tempo. Eu ando numa crise de abstinência. Já não lembro mais como é a sensação, não lembro mais da emoção, não sinto mais o coração. Parece que se não estou sendo vista pelos seus olhos, simplesmente não estou sendo vista, não estou aqui. Ok, talvez não tão dramaticamente assim. Mas me faz falta. Só a memória não é o suficiente, eu quero o acontecer novamente.

Cadê os olhos? Me encarando, me fitando, me penetrando. Se entrando, se perdendo, se ficando.

Cadê os olhares? Trocando, vivendo, olhando, sendo, estando, piscando.

Anseio seus olhos, tê-los nos meus mais uma vez. O castanho de um se misturando no castanho do outro. Anseio os poucos segundos que nossos olhares duravam. Mas, mais do que isso, anseio a intensidade que tinham. Não é possível que só eu a tenha sentido. Me recuso a acreditar nisso. Era muito intenso para tal. Talvez seja difícil entender, acreditar, aceitar, admitir, reconhecer, mas está lá. Existe.

Devo te confessar uma coisa. Não é o que desejo, mas é o que anda acontecendo. Seus olhos andam sendo substituídos por outros, involuntariamente. Eu quero os seus, mas não os estou tendo. Tenho uma carência deles, parece que me falta alguma coisa no dia a dia. Outras sensações vão me invadindo, outras emoções me consumindo. Quero o que tenho com você, mas na falta disso, vou suprindo minha "dependência" com uma seleção minuciosa de outras experiências. Na falta dos seus olhos outros me aparecem... e roubam a cena, incontrolavelmente.

O que eu não daria pra te encontrar. Ainda, sempre, espero. Espero, sempre, por você. Espero, sempre, poder encontrar seus olhos novamente. Espero, sempre, poder me perder mais uma vez na imensidão que é olhar dentro de alguém. Espero, sempre, ter mais uma conversa que seja banal. Espero, sempre, por mais um segundo. Espero, sempre.

Hoje pensei que vi você. O coração disparou. Pensei que eram seus olhos que encontrariam os meus novamente. O coração veio até a boca. Pensei que veria teu sorriso sorrir pra mim. O coração, sozinho, parou. Não era você.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O Homem

Eu tive um sonho.

Vi
escondido por ali
atrás da vergonha e do cheiro de mulher
fumando um cachimbo e contando uma história
desenhando a vida com suas palavras
à deriva do eixo
à margem de tudo
Na beira do rio
pescando sua sorte
bebendo a luz do dia
olhou para mim
e perguntou:
"O que faz você aí, atrás da árvore?"
Pega de surpresa
não soube o que responder
saí correndo para despistar
mas parei logo a diante
Sorriu
gargalhou
pensou consigo
parou comigo
e se encontrou novamente
no profundo do rio
Falava
cantarolava
fumava
pescava
e brincava de ser só
Se perguntava se a vida
era simplesmente isso
simplesmente a beira do rio
o cachimbo na mão
e a vara na outra
uma canção na boca
e outra no coração
E o amor?
amor já era
amor já se foi
amor tinha data
e o prazo expirou
Seu amor agora era a vida
as manhãs e os fins de tarde
os nasceres e se pores do sol
a noite estrelada
a lua
o rio
a chuva
Seu amor eram os segundos
cada um importava
pois não sabia seu tempo
ou se seu prazo chegava
até ter de retornar ao fundo do rio
e de lá apenas observar
e contemplar o lado de fora
A vida de peixe não mais lhe apetecia como antes
a vida do lado de fora lhe era muito mais interessante

Acordei.

Em minha cabeça, uma história fascinante. Um homem encantador, um cachimbo e uma vara de pesca. Contava suas aventuras, seus sonhos, seu amor. Eu queria viver o mundo como ele. Queria conhecer a vida com seus olhos.

Ser peixe ser gente. Peixe grande gente grande. Peixe nada gente caminha. Respira. Peixe gente gente peixe grande pequeno mais ou menos nada nada nada respira caminha de um lado a outro pula salta dentro ou fora água doce salgada rio mar oceano terra terra terra grama verde céu azul azul mar piscina ondas mar mar mar respira nuvens chuva água céu cinza chão concreto asfalto quente calor calor calor sol manhã claridade noite escura azul profundo mar azul azul ondas ondas ondas ondas ondas ondas água caiu afogou.

Existe? Mas e se ninguém estiver olhando? Será simplesmente sonho?

domingo, 20 de abril de 2014

A Vida Embaixo da Mesa

(secreta) mente
(veloz) mente
(feliz) mente
(sintetica) mente
(aberta) mente
(explicita) mente
(interna) mente
(calma) mente
(abrangente) mente
(infeliz) mente
(sofrivel) mente
(acida) mente
(atual) mente
(social) mente
(imperfeita) mente
(ativa) mente
(indireta) mente
(discreta) mente
(imoral) mente
(perfeita) mente
(impiedosa) mente
(poetica) mente

(imple) mente

(deca) dente
(a cor r) ente
(ar) dente
(sol) poente

terça-feira, 15 de abril de 2014

E se...?

Melhor nem começar
Ou melhor ainda, nem pensar
Porque só de pensar
aquilo já te invade
e você pensa na possibilidade

É o que me mata
É o que faz o mundo desabar
Você fica pensando no que pode dar
mas no fim das contas
dá é em nada

E você ficou só
Só com seus pensamentos
lamentos
tormentos
Desencantos
Você ficou.
Mas e se...?

domingo, 13 de abril de 2014

Fitateme

(Já que não pode ser sempre, gostaria que fosse assim. Uma vez por semana. Acho que dá pro gasto.)

Eu estava contando os dias, minutos, segundos. Mas hoje chegou. Fui encontrar aqueles olhos que não me pertencem mas me possuem. Chegou e passou. Você de costas, foi pro outro lado. Daqui a pouco se vira, nossos olhos não se resistem. Fui à procura dos olhares, que me cegam e ao mesmo tempo me fazem enxergar tudo. Mas hoje eles estavam diferentes... Não os entendia como antes. Não os pecebia como antes. Não pareciam os mesmos. Pareciam perdidos. Não sei se era a multidão, mas eles não focavam. Aonde eles foram parar?

Vermelho combina com sua pele. Gostei do modelito. Me conta dos seus planos porque eu quero te encontrar por aí. Quero te encontrar por acaso pela rua e te ter numa conversa informal. Quero, por acaso, me perder nos seus olhos. Como de costume. Quero, por acaso, mergulhar nessas profundezas e explorar o desconhecido. Quero, por acaso, te conhecer. Quero, por acaso, me esquecer.

Eu adoro saber sobre as pessoas, me conte de você. Já que nos encontramos, vamos nos perder um pouco agora. Nos esquecer do lado de fora e se entranhar um dentro do outro. Nos explorar, nus divertir, nos viver, nus sentir.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ardente

(Novamente aos seus olhos, por encontrá-los durante breves segundos.)

Encontrá-los de novo. Poder encará-los por mais alguns momentos. Nem fazia tanto tempo, mas era tão intenso que eu já andava sentindo falta. Da nossa troca, do nosso penetrar, do nosso entrar um dentro do outro, do nosso ficar e nem piscar. É como prender a respiração. E só soltar quando não aguentar mais, ficarmos o máximo que nos é capaz. Porque temos isso também. A troca é tão intensa que não consegue durar muito tempo. Acho que se durasse, chegaríamos a um outro lugar, meio que de transcendência. Elevação por nossos olhares. Nossos olhos se chamando de novo, se buscando, se encontrando e se piscando. Eu queria poder ir lá, todo encontro, só pra poder encarar seus olhos, só pra podermos nos perder um pouco um no outro. Mesmo que seja por pouco tempo. Mesmo que seja um segundo. Ou mesmo que nem seja.

domingo, 6 de abril de 2014

Pessoa

(Inspirado no meu querido amigo Rubens, que é um só com espírito de todos.)

Eu sou um
mas deveria ser mil
Para me desdobrar em todo canto
estar em todos os lugares ao mesmo tempo

Eu sou um
mas deveria ser um milhão
Para poder te acompanhar
para juntos irmos a qualquer lugar

Eu sou um
e deveria ser um monte
Chegar perto de gente grande
ir além do horizonte

Eu sou um
só um
Mas também sou todos
e faço questão de estar
aí.

domingo, 30 de março de 2014

Janela

(Aos seus olhos e, por consequência, nossos olhares.)

É um olhar nos seus olhos tão constante que consigo te desenhar com os meus fechados. Ou mesmo se a gente nem estiver perto. Eu consigo captar todo e qualquer detalhe do seu rosto. Suas feições, suas perfeições e suas imperfeições. Seu olhar puxa o meu, e o meu o seu. É impressionante como a gente consegue se chamar apenas com o olhar. Basta nossos olhos se cruzarem uma vez e a gente se prende lá, não consegue sair. A gente nem chega a piscar enquanto se olha. Na verdade, é isso que faz a gente perder a conexão, o nosso fechar a janela da alma. A gente se olha tão intenso que parece que se penetra, se entra um dentro do outro e se esquece de sair. Talvez não seja nem se esquecer, mas se deixa ficar, se deixa estar. Se entra e se perde lá.

quinta-feira, 6 de março de 2014

cabeceira

eu tive a impressão
Mas não sei se era céu ou chão

parece que vi
E ao mesmo tempo também senti

o vasto azul do mar
Fez eu me perder no ato de amar

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Falta de cumplicidade
de reciprocidade

Dois pra lá
Dois pra cá
É simples
Como sambar

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Sempre um suspiro
Irresolvido
Esquece de terminar
Por conveniência
Por preferência
Em reverência
Ao que aconteceu
Ao que não aconteceu (também)
E ao que poderia ter acontecido
Sempre um suspiro
Irresolvível
Irreversível
Que já passou
Mas se esqueceu de seguir em frente
E entre nós ficou

domingo, 2 de março de 2014

Intermitente

Chega de maré
Me arrastando daqui pra lá
Vou firmar os pés na areia por um momento
Acho que é disso que preciso
Um pouco
Um ponto
Final de período
Mas logo passa
Vira dois pontos
E digo
"Não, agora não.
Agora é pra mim."
Daí (mais) um pouco
A gente coloca mais um
E vira reticências
Depois...

Parágrafo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Isso já é Outra História

(Yuri, por vivermos essa vida juntos, pelo amor que nos uniu. E Manfrin, que nos acompanhou.)

Porque uma vida sozinha
é uma vida vazia
sem aventuras
sem diversões
sem confusões
sem problemas
sem nada
sem vida.

Mas essa vida não é pra mim
muito menos pra você

Nossa vida é sair
é ir pro mundo
é cair e levantar
é entender o erro
mas logo se reerguer
é enlouquecer
e ao mesmo tempo se amar

Porque uma vida sozinha
é só mais uma vida não vivida
E uma vida juntos
aí já é outra história...

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Acobreado

(Yudi, que me fez reparar nas borboletas.)

As manhãs que te aguardam
A noite que te engole
As tardes que te embelezam
E a madrugada que te esconde

Estonteante beleza
Calor que cativa
Luz que hipnotiza
Raios que dão cor ao mundo

Você chega sem pedir licença à noite que te antecede
Você chega e logo o mundo se ilumina
E quando chega o fim de tarde
Você deixa o céu da cor mais bonita

A borboleta laranja
E sinto felicidade
Paz

A borboleta amarela
E sei que algo acontecerá
Mistério

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Para Ser Poema

Vamos para ser um poema
Para juntos ser escritos
Ser deliciados
Ser saboreados
Ser e estar
Em todos os estados

Vamos para ser um poema
Vamos juntos nos completar
Vamos juntos tocar
Vamos juntos encantar
A beleza do palavrear

Vamos para ser um poema
Quero logo sair desse lugar
Ver o mundo e amar
Vamos juntos ao céu encarar o luar

Vamos para ser um poema
Ver o dia amanhecer
O sol pedir pra entrar
A vida entardecer
A lua nos iluminar

Vamos para ser um poema
Sentir a chuva cair
Nos banhar e suavizar
Atravessar o arco-íris
E ser o pote de ouro a chegar

Vamos para ser [o] poema
Para aqui nos eternizar
Para aqui se esquecer
Nos largar
Ficar
Ao infinito
Ver o mar

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Blue Moon

Minha maior amiga
Mais distante e solitária
Mas mais presente do que imagina

Ilumina minha noite
Escurece meu dia
Espero para que chegue

Conto os dias
Conto as horas
Cada segundo

Gigante
Imensa
Esplêndida

Alcançando os corações
As almas a enxergar
A vida passa a ter sentido

Sentindo

Preenchendo a noite
Clareando a escuridão
que me preenche

Trás o melhor de mim
Minha paixão
Em sua eterna
Solidão

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A hora agora, é não

Farelos
Migalhas
Pedaços
de pão

Letras
Palavras
Frases
na mão

Pincéis
Quadros
Pinturas
em vão

De coração
(eu e você)
A pessoa certa,
mas agora não

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Aborto

Difícil não se apegar, eram como meus filhos.
Minhas palavras, minhas belas palavras que algo diziam,
algo sentiam. Se foram.
Não, não lembro. Era do momento,
inspiração.
Agora...
se foram.
Sem mais nem menos,
não pertencem mais a mim.
Já posso dizer,
enfim,
que me fazem
a maior falta
do mundo.

sábado, 4 de janeiro de 2014

noites


Durmo de roupa
Durmo sem roupa, também
Não sei

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Não sei o que acontece
Se você não me fala
Não sei o que dizer
Se não sei o que se passa
Difícil viver assim

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É comigo?
Só pode ser
Não sei o que fiz pra você ou quem quer que seja
Mas eu sou assim
É o que eu tenho

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Você tem que aceitar
É o que posso te dar

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E você não vem
É bem o meu jeito
Daquelas que espera o príncipe (ou princesa, porque hoje em dia ninguém sabe mais)
Mas espero
Espero por você que nunca vem
Espero por você

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Me diz umas coisas que nem sei o que dizer
Fico sem palavras pra poder descrever
Esse sentimento que corre aqui dentro
Esse meu jeito assim sem jeito mesmo

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A vida é realmente linda e realmente não tenho vontade de morrer, tenho vontade de viver. Mas tem hora que é difícil relevar uns pensamentos...

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Rola um ódio mortal que eu não cultivei em ninguém. Ou devo ter cultivado também, não sei. Mas tem hora que é foda...

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Eu não quero incomodar, entenda isso. Só é difícil pra mim, só isso.

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Daquele jeito, daquele jeito que só você sabe. Acho que nem sabe, na verdade. Mas é aquilo.

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E com todos não sentia o que sentia com você. Com você, foi mais. Foi longe. Acima de tudo, foi mulher. Foi há muito tempo que isso aconteceu.

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Panoramicamente, só vejo você.

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Muito prazer, querida, eu sou a dor.

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Uma morte poética, só. Escutando aquela música. And that is that. E nesse momento, é infinita. Nada a impede. E só. Só. Pode.

Só mais essa, pra eternizar.

dias

Por que a gente faz isso?
Eu com você e você comigo
Um com o outro e o outro com o um
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Eu gosto tanto de você
Não consigo nem dizer
Quem dirá entender?
E...