sexta-feira, 29 de junho de 2018

projeção

e se acabasse agora? e se de uma hora pra outra você descobrisse que nada daquilo é mais? e, de repente, é como se um trovão caísse exatamente do meu lado enquanto eu caminho ao seu encontro. de repente me lembro de todos os momentos que olhei profundamente nos seus olhos e percebi que era aquele o lugar em que eu queria estar naquele momento. eu quero te ver e poder te olhar profundamente. e dizer, pros seus olhos, o quanto acho bonito ver eles tocando a minha pele, intensamente. como o calor que me queima facilmente, trabalhando a melanina que corre em minhas veias. o pulso. o batimento. vai. ficando. cada. vez mais acelerado quando encontra o seuolharemtodoocaosqueéveromundo. pausa. respira. toma uma água. acho que água é essencial. sou dessas mesmo. saio por aí disseminando e oferecendo. e pode me oferecer também, água é coisa que não se recusa. tipo cigarro. a menos que seja o último. porque não dá pra abrir mão daquele momento único em que você acende o seu último cigarro. a fumaça sai da boca como se fosse uma estrela que você sopra na imensidão. o vento se espalha e toca seu rosto suave e brando. branco. os lábios rosados se encontram num encaixe perfeito. e quando a língua se acomoda por ali, entre um beijo e outro, é uma imagem que ficou na minha cabeça feito tatuagem. feito cicatriz que marca a pele e deixa história pra contar. e dessa história vão ouvir falar. do encontro que aconteceu. e que ninguém percebeu. mas espere, são só alguns segundos de propaganda...

sábado, 24 de março de 2018

ainda assim, dói

fico esperando
você
virar a esquina
olhando pros lados
procurando seu rosto
na multidão

o espectro vasto
que encontro
de solidão
aqui dentro
me desperta
o coração

a gente sofre
mas a gente gosta
a gente se engana
diz que não sente (ou não quer sentir)
mas no fundo
a gente não controla

espasmos colaterais
compõe o meu sermão
que digo
em vão
com sutilezas escondidas
e declarações disfarçadas
acobertadas
e misteriosas
as verdades que se calam
no meu peito
pulsante
fervente
contente
carente
do seu olhar

que espero
virar a rua
pra encontrar

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

25

como se dá essa coisa?
me contaram uma vez
que todo mundo é meio do mesmo jeito
quando se trata de alguns assuntos
e esse era um deles
que a gente não sabe
que não aprende
só dando a cara a tapa
que se apanha
que se recebe um beijo
que se chora
que se cora
que se ri
que se olha
profundamente
nos olhos de outra pessoa
que se sente
intensamente
a felicidade queimando no peito
que se troca
dia após dia
o calor dos silêncios
o frio dos abraços
a distância dos encontros
e a proximidade de se estar só

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

ou vai ou racha

Eu fico tentando entender
algo sem explicação

Fico querendo dizer
mas hesito, será que não?

Fico esperando você
e se não vier
sigo
a caminhada não para
e eu caminho com quem caminha comigo
eu sigo com quem segue
não tenho tempo pra quem fica parado
ou mesmo
quem caminha devagar
o tempo urge
a vida corre
e os momentos de calmaria
são pra curtição
pra meditação
pra imensidão
e não pra ficar tentando entender
ou querendo dizer
se sim ou se não
se for vai
se não for fica
eu
sigo
e nosso caminhar
pode se alinhar
pode se afinar
pode se desafiar
se você deixar
se você quiser trocar
e se quiser compartilhar
o momento
comigo
um instante
um abrigo
um afeto

e nosso encontro, pra quando fica?

terça-feira, 27 de junho de 2017

neg(r)ar

eu não vou ganhar
não vou ser escolhida por seus olhos
não vou sentir o toque leve da sua boca
não vou ouvir seu suspiro em meu ouvido
"eu te quero"

a solidão se senta à mesa. serve-se e come. comendo lentamente, serve um vinho e saboreia. a solidão tem a pele da cor da noite, se esconde pelos cantos sem luz. ela não quer ser vista. apenas só se vê em seu espelho fragmentado.

lá fora, o sol brilha no mais fervoroso calor.

domingo, 18 de junho de 2017

Diálogo I

- Eu queria entender o amor.
- Tá escuro aqui.
- Acende a luz.
- Ascende, luz.
- O amor...
- Era sobre isso que você ia falar.
- Mas...
- O quê?
- Eu não sei o que é, nem por onde começar.
- Calma.
- Vamos com calma.
- É isso que eu queria entender.
- O quê?
- A calma.
- Taí duas coisas que não se respeitam, o amor e a calma.
- Não querem nem saber uma da outra, mas precisam de si.
- Eu gosto do céu.
- Oi?
- Adoro como o ele fica colorido de rosa no final do dia, quando o sol está para se pôr. Fica aquele azul de fundo se mesclando num roxo até chegar no rosa e daí mais um pouco se transforma em laranja e chega no tão esperado amarelo. Me fascina.
- ...
- Acho que é isso.
- O quê?
- O amor!
- Como assim?
- É isso! O encantamento, a fascinação com o simples, o dia a dia. O ordinário se tornando extra-ordinário, só por você o estar olhando. É isso.


- E a calma?...
- Passou.

domingo, 23 de abril de 2017

Tremor es

(Para o meu menino que treme.)

estalo
estica estica estiiiiiiiiiiiiica
aaaah
alivia
relaxa
relaxa
re
la
xa

saiu
fumou um cigarro
não, um cigarro não
parou?
tô no processo
uma água então

o corpo derrama
amarra
arranha
escorre
rasga
retalha
roupa
suor

como você treme
tem dias que são mais do que outros
uma vez te abracei e não tinha mais aquela agitação

a mão abraça de lado
a água não para no copo

abraço respirado
respiro acalmado
a calma
do outro lado

cada um sabe o vício que tem.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Respira

O momento vai chegar
e vai doer
vai demorar
vou suar frio
vou ficar nervosa
talvez eu me embole
talvez eu me esqueça de alguma coisa
talvez eu beba muita água
talvez me engasgue
talvez eu nunca pare de tossir
talvez eu pare

e talvez não.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Resfriado

tosse
tosse
tosse
suspiro
respiro
sorriso
momento
espera
atento
risada
abraço
encontro
tosse
tosse
tosse
inspira
expira
calma
tosse
pausa
tosse
tosse
pausa
olhar
distração
vivência
emoção
espera
concreto
carne
chão
tosse
expressão
comunicação
divisão
união
afeto
abraço
abraço
beijo

tosse

tosse
tosse

dizer
fazer
viver
escrever?
comunicar
abrir
cheirar
ser
estar
tosse

tosse
tosse
tosse
tosse
bocejo
sono
cama
cuidado
comida
banheiro
tosse
chuveiro
água
corpo
sabão
tosse
cuspe
catarro
cigarro
tosse

tosse
tosse
água
tosse
respira
respira
tosse
tosse
tosse
tosse
tosse
tosse
1
2
3
respira
respira
3
2
1
respira
água
água
(peraí que eu fui beber uma água
no meio do caminho
percebi que queria
água de côco
bebi
voltei
sentei)
sono
dormi
sonho
sonho
sonho
sonho
sonhei

vivi
e
revivi
aqui não
não passarão
não ficarão
eu tô de pé
com os meus
mão a mão
juntxs
seguindo
vivendo
simplesmente
vivendo
e incomodando
(mesmo)
quem vier
tirar satisfação
quer você queira
ou não
tá ligado?
esse tempo
agora é nosso
aceita
dói menos

acordei
lembrei?
despertador
água
celular
luz
tosse
tosse
tosse
água
anda
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anda
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anda
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vala.



fim.
(ela está bem
bebe sua água de côco
ao som de Criolo
negra)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Plano Convexo

Eu queria entender porque tem que ser assim... Porque é tão difícil. Todo mundo é humano e isso deveria ser um ótimo motivo para que as relações fossem mais fáceis. Mas não é. Parece que tudo piora quando se pensa por esse lado.

Eu queria entender porque eu sou assim. Porque ser eu é tão difícil. Pensar do jeito que eu penso e agir da minha maneira. Queria saber porque a vida real é desse jeito. Porque nos filmes tudo parece mais fácil, e as pessoas se entendem e se ajeitam de uma maneira tão mais harmoniosa.

Eu queria entender porque você é assim. Porque é tão difícil falar com você. Porque é tão difícil fazer você ver o mundo do meu jeito. Você já teve a minha idade, e eu queria saber o que faria no meu lugar. Você sabe que é difícil.

Eu queria.

Mas acho que eu nunca vou entender essas coisas. Parece que são aquelas coisas que simplesmente não se entende. São aquelas coisas que apenas o tempo as tornam mais tranquilas, apenas o tempo faz elas passarem. Mas não, elas não serão entendidas. Serão apenas aceitas.

Eu não entendo...

Não. Essa é a palavra que mais tem me perseguido nos últimos meses. Não aceito. Não entendo. Não posso. Não devia. Não queria. Não possuo. Não consigo. Não não não não! Mas... tem outra coisa, me incomoda, me deixa acordada, me enche a cabeça... por quê?

Junte as duas e temos o caos. O caos perfeito, a teoria que me destrói. Me consome por dentro como a fome, como a fome que se transcende de tão intensa. Me deixa vazia. Me deixa tão sem nada que parece que sumo. Parece que nem existo. Parece que perambulo pela vida sem ser vista, sem ser reconhecida.

E os olhos. Os olhos ficam vazios. Ficam sem cor, sem forma, sem luz. Olham mas não enxergam. Parece que buscam sempre. Buscam algo que não está lá. Como procurar seu rosto na multidão, sabendo que é quase impossível encontrá-lo.

Agora, me diz uma coisa. Isso importa de quê?