domingo, 23 de abril de 2017

Tremor es

(Para o meu menino que treme.)

estalo
estica estica estiiiiiiiiiiiiica
aaaah
alivia
relaxa
relaxa
re
la
xa

saiu
fumou um cigarro
não, um cigarro não
parou?
tô no processo
uma água então

o corpo derrama
amarra
arranha
escorre
rasga
retalha
roupa
suor

como você treme
tem dias que são mais do que outros
uma vez te abracei e não tinha mais aquela agitação

a mão abraça de lado
a água não para no copo

abraço respirado
respiro acalmado
a calma
do outro lado

cada um sabe o vício que tem.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Respira

O momento vai chegar
e vai doer
vai demorar
vou suar frio
vou ficar nervosa
talvez eu me embole
talvez eu me esqueça de alguma coisa
talvez eu beba muita água
talvez me engasgue
talvez eu nunca pare de tossir
talvez eu pare

e talvez não.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Resfriado

tosse
tosse
tosse
suspiro
respiro
sorriso
momento
espera
atento
risada
abraço
encontro
tosse
tosse
tosse
inspira
expira
calma
tosse
pausa
tosse
tosse
pausa
olhar
distração
vivência
emoção
espera
concreto
carne
chão
tosse
expressão
comunicação
divisão
união
afeto
abraço
abraço
beijo

tosse

tosse
tosse

dizer
fazer
viver
escrever?
comunicar
abrir
cheirar
ser
estar
tosse

tosse
tosse
tosse
tosse
bocejo
sono
cama
cuidado
comida
banheiro
tosse
chuveiro
água
corpo
sabão
tosse
cuspe
catarro
cigarro
tosse

tosse
tosse
água
tosse
respira
respira
tosse
tosse
tosse
tosse
tosse
tosse
1
2
3
respira
respira
3
2
1
respira
água
água
(peraí que eu fui beber uma água
no meio do caminho
percebi que queria
água de côco
bebi
voltei
sentei)
sono
dormi
sonho
sonho
sonho
sonho
sonhei

vivi
e
revivi
aqui não
não passarão
não ficarão
eu tô de pé
com os meus
mão a mão
juntxs
seguindo
vivendo
simplesmente
vivendo
e incomodando
(mesmo)
quem vier
tirar satisfação
quer você queira
ou não
tá ligado?
esse tempo
agora é nosso
aceita
dói menos

acordei
lembrei?
despertador
água
celular
luz
tosse
tosse
tosse
água
anda
.
.
.
anda
.
.
.
anda
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
vala.



fim.
(ela está bem
bebe sua água de côco
ao som de Criolo
negra)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Plano Convexo

Eu queria entender porque tem que ser assim... Porque é tão difícil. Todo mundo é humano e isso deveria ser um ótimo motivo para que as relações fossem mais fáceis. Mas não é. Parece que tudo piora quando se pensa por esse lado.

Eu queria entender porque eu sou assim. Porque ser eu é tão difícil. Pensar do jeito que eu penso e agir da minha maneira. Queria saber porque a vida real é desse jeito. Porque nos filmes tudo parece mais fácil, e as pessoas se entendem e se ajeitam de uma maneira tão mais harmoniosa.

Eu queria entender porque você é assim. Porque é tão difícil falar com você. Porque é tão difícil fazer você ver o mundo do meu jeito. Você já teve a minha idade, e eu queria saber o que faria no meu lugar. Você sabe que é difícil.

Eu queria.

Mas acho que eu nunca vou entender essas coisas. Parece que são aquelas coisas que simplesmente não se entende. São aquelas coisas que apenas o tempo as tornam mais tranquilas, apenas o tempo faz elas passarem. Mas não, elas não serão entendidas. Serão apenas aceitas.

Eu não entendo...

Não. Essa é a palavra que mais tem me perseguido nos últimos meses. Não aceito. Não entendo. Não posso. Não devia. Não queria. Não possuo. Não consigo. Não não não não! Mas... tem outra coisa, me incomoda, me deixa acordada, me enche a cabeça... por quê?

Junte as duas e temos o caos. O caos perfeito, a teoria que me destrói. Me consome por dentro como a fome, como a fome que se transcende de tão intensa. Me deixa vazia. Me deixa tão sem nada que parece que sumo. Parece que nem existo. Parece que perambulo pela vida sem ser vista, sem ser reconhecida.

E os olhos. Os olhos ficam vazios. Ficam sem cor, sem forma, sem luz. Olham mas não enxergam. Parece que buscam sempre. Buscam algo que não está lá. Como procurar seu rosto na multidão, sabendo que é quase impossível encontrá-lo.

Agora, me diz uma coisa. Isso importa de quê?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ausência de Mim

Sobre a sentida loucura que por segundos me invadiu. Mas já de cara me possuiu. Me penetrou e infiltrou o meu ser. Sobre o passado momento em que percebi que me senti louca. Senti como era chegar nesse lugar e não controlá-lo. Em nem fazer ideia de como cheguei, quando ia sair e se ia sair. Sobre o não controle, a ausência de mim. Eu tive que escrever sobre isso.

Eu me senti louca. Eu estava ali simplesmente, e louca. E eu não sabia mais o que era o quê. Numa mescla de sentidos, sensações e emoções, eu nada entendia. Era a loucura, que me invadia. Eram lágrimas e risos, soluços e gargalhadas que saíam da minha boca. Os olhos vermelhos, o rosto molhado e a boca sorrindo. Era a loucura. Era a ternura. Era a amargura. Era a insegurança e a confiança de todos os erros. A destreza e a incerteza de todos os avanços. A vivência e a infantilidade de todas as doenças. Eu, me senti louca. Era sem porquê e sem preocupação. Sem dever nem direção. Sem te ver mas emoção. A dualidade, a pluralidade. O paradoxo, ao mesmo tempo. Eu me senti, louca. Entre lágrimas desentendidas e sorrisos desacordados. Entre forças perdidas e um peito desabrochado. Entre palavras não ditas e a vida por um abraço. Eu, louca. E era daquele jeito que não se entende, só se sabe e se segue em frente. Ou melhor, só segue mesmo. Porque saber, isso só vem depois. O estado declarado, desperto, acobreado. Distante e mal cuidado. Descoberto. Universo, intenso, caótico, inteiro. Eu estava louca.

Preciso de imagens que trazem a sobriedade. Não entender o que se passa com a minha cabeça é muito perturbador. Eu não sei se aguento esse estado mais. Eu quero que pare. Quero que saia. Mas o que sou eu perto da loucura? Que controle tenho sobre algo sem controle? Eu me senti louca. Eu estava louca. Uma loucura lúcida que eu me dava conta mas não conseguia combater. Não conseguia entender. Louca? Eu?

Eu. Me senti louca. Me senti fora do lugar comum, fora do lugar esperado, fora. Me senti além, aquém. Louca. Louca de mim.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Décimo Andar

de vez em quando
eu me pego pensando uns absurdos
umas coisas loucas
desperto no meio da noite
e não entendo
não esqueço
corro em círculos
tentando achar a saída
desse lugar
sem portas
ou janelas
desse quarto quadrado
ao avesso

às vezes
eu queria sair gritando
pela rua
ocupando o espaço
do som
ao prédio
pra acabar com esse tédio
de dentro de mim

tem dias que amanheço
pensando
no fim dos dias
nas noites dos sóis
nos becos
nas partidas
e sem dizer
viajo
vou embora
e me despeço sem abraço
mando carinho
pelo espaço
desenhando
com meu traço
a reta-curva-torta
dos meus passos


tem dias que eu só queria sair.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Ode ao amor II

Se olharam de lado

Distantes

Despertos

Profundo

Espesso


"O que vem depois disso?"


Não sabido

Não descrito

Não implícito

A mostra


Latente

Ardente

Vazante

Corrente

Aberto

Ferida

Sangrando

Por dentro


Um dia desses me disseram que distante era o nosso tempo, nosso descompasso, nosso passo atrasado. Mas descobri, ao longo dos dias, que distante era o nosso abraço, nosso olhar, nosso espaço. Descobri contigo que a distância é maior rente à pele. Descamando as entranhas e penetrando minhas vísceras. Descobri que amar também é perder. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ode ao amor

De cabeceira

De trás pra frente

Diferente

E contente

Como a gente


Dispersa

Desperdiçada

Desgarrada

Amada


Mal dizia

O pensamento

Que contava

Minha tia

"Desse mal

O mundo sofre

Mas é o que trás

calmaria"


Nem de longe

Eu percebia

Discreto

Me seduzia

Distante

Me percebia


Avoa

Desliza

Descalça

Descama

Derrama


Me conta

Depois

Ou me distrai

De manhã

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Manifesto-ação

distraída

escondida

despercebida


sabia e dizia

tentava se explicar


o que penso também importa

não quero saber se discorda

eu também penso

também posso


dizer que é assim

e sempre foi

é muito fácil


difícil é mudar

questionar

bater o pé

não arredar

levar porrada

e levantar

lutar


parar

virar

trocar

causar

alterar a ordem natural das coisas


para

enfim

enxergar

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Ocupação

Cansei de espiar
Pelos cantos dos olhares
Dispersa na multidão
Atravessa
Dispara no peito
A emoção

Do início e de volta
Ao começo
Desconfiada do tempo
Esquecida
Sem vento
Estado
Decidida no momento
Contemplo

- Olha aqui
- Não tô te vendo

Pausa
Segundos momentos
Descasos
Descompassos
Acertos
E memórias

Sofá cama mesa
E banho
A primavera chegou